Li alguns artigos interessantes sobre o tema, e adaptei um pouco à realidade que encontro em meu trabalho, acho que vale à leitura.
Se você acha que alguém de seu trabalho é estúpido, pense bem quais os motivos que o levaram a este julgamento. A menos que você seja uma pessoa com uma inteligência de um gênio (além de estatisticamente improvável, é possível que você não estivesse lendo este artigo), talvez você esteja julgando mal seu colega.
Vamos dizer que você não está apenas taxando seus colegas com este rótulo de modo à tentar se proteger e esconder suas próprias inseguranças(de qualquer forma faça esta pergunta à si mesmo, honestamente). Vamos assumir que você realmente acredita que as pessoas são estúpidas, provavelmente porque não consegue conversar, debater ou concordar com elas.
O que você realmente precisa analisar é o julgamento que elas fazem. Divergências nos julgamentos raramente são causadas por estupidez – seja no trabalho, em casa, na política ou qualquer outro ponto. Como sabemos, não podemos resolver nenhum problema sem encontrarmos sua causa, e chamarmos as pessoas de estúpidos nos impede de seguir à diante nos próximos pontos deste artigo.
Ao invés de chamá-los de estúpidos, vamos levar em conta os seguintes pontos:
1 – Antes de divergir de alguém, trabalhe para entender seu posicionamento:
Você entendeu completamente o que ele está falando? Ou você está falando do passado de cada um?
Você está respondendo à mesma pergunta? Às vezes as pessoas respondem as perguntas de prismas variados. Por Exemplo: “Qual é o próximo passo?” contra “Qual é a solução em longo prazo?”
Vocês estão utilizando os termos da mesma maneira? As divergências podem surgir pelo uso de diferentes definições e terminologias.
Você está falando com o máximo de abstração? Dar e pedir exemplos e analogias ajuda a deixar a questão mais clara para ambos.
Vocês dois estão sendo claros e precisos em seus questionamentos? É comum que as pessoas soltem frases soltas, ou metáforas que não serão interpretadas corretamente, e em alguns casos nem se deve.
Faça estas perguntas e compreenda atentamente o resultado, se mesmo assim a divergência continua acontecendo.
2 – Estamos discordando ainda! Então tente entender a linha de pensamento dele
Quais são as razões para a conclusão que ele expõe?
Qual é a prova que ele oferece para exemplificar sua conclusão? Que dados ou observações ele está levando em conta para chegar a esta conclusão?
Qual premissa ou lição ele considera relevante? Quais princípios, quadros, ou as teorias que ele aplica?
Quais objetivos e valores ele está utilizando em sua abordagem?
Pergunte isso diretamente, mas tente não ser agressivo nem intimidador. Sua opinião pode mudar durante este processo. Se não mudar, pelo menos você vai conseguir entender melhor as razões deles:
Você viu a importância dos fatos que eles mostram? Talvez falte a eles um fato fundamental, ou apenas eles não viram a amplitude e profundidade dos fatos que você tem! Informe-os sobre isto, e veja o resultado.
Você possui alguma experiência relevante que eles não tenham? Mostre-lhes suas observações, lições aprendidas que te levam à sua conclusão, e faça isso sem ser didático ou condescendente.
Você está trazendo fatos e lições de outras origens? Se sim, qual o contexto se aplicam? Talvez um de vocês tenha trabalhando em empresas que começaram pequenas e cresceram, e outro só tenha trabalhado em empresas grandes. Qual o contexto mais relevante?
Vocês são guiados por objetivos e valores diferentes? Se sim, é lógico que vocês chegarão a conclusões e soluções diferentes! O alinhamento de objetivos é crucial para bons resultados.
Vocês defendem premissas diferentes? Se sim, é possível que vocês dois não consigam uma solução rápida para o impasse, portanto, será preciso tomar outra abordagem (por exemplo, apliquem as idéias em menor escala de forma razoável para medir os resultados, ou peça para um terceiro auxiliar na tomada de decisão)
3 – Leve sempre em conta o contexto emocional
Ele está com MEDO da conclusão? Talvez isto ameace seu trabalho, sua reputação ou auto-estima. Não há nenhuma desculpa para isto, porém sempre acontece. Bons profissionais reconhecem isto cedo ou tarde, e deixam as emoções de lado. Às vezes um amigo do trabalho o faça perceber isso com uma conversa simpática (é importante que você também faça esta pergunta a si mesmo).
O ambiente é estressante, degradando seu julgamento? Pressão pela escassez de tempo ou por uma carreira que está por um fio torna difícil um bom trabalho.
Ele está intimidado por você? Se ele te vê como mais inteligente ou mais bem quisto poderá ser invadido por uma maré de sentimentos de incertezas e inseguranças, o que dificultam seu pensamento. Você pode involuntariamente deixá-lo “pra baixo”. Use um tom de voz mais baixo, e seja mais polido em suas colocações, sempre demonstrando que vocês têm direito de defender o que acham melhor, mas precisam chegar a um consenso.
Se vocês ainda não chegaram a nenhum entendimento, seu problema pode ser de ordem cognitiva ou até mesmo psicológica:
Eles podem ter bom senso, mas baixa capacidade de comunicação. Se você achar que concorda com ele após resolver os problemas de alinhamento inicial, mantenha sempre isso em mente. Pode ser muito frustrante e é necessário paciência, mas é melhor do que discutir à toa, e no fim poderá até mesmo ganhar a admiração deles.
Eles podem ter uma inteligência “crua”, mas seus pensamentos habituais são pobres, os padrões de absorção, processamento e arquivamento de informações. Cognitivamente falando, eles não estão configurados para chegar ao cerne da questão, distinção de elementos essenciais e acidentais, para formar e aplicar uma generalização válida. Isso também pode exigir paciência. Isto não é bom, eu sei, mas ele não é intencionalmente irracional, ou o vulgar burro. Concentre-se em outras qualidades e virtudes que eles trazem para a discussão, como criatividade, diligência ou construção de relacionamentos.
Eles podem ter uma insegurança geral que estas discussões os façam parecer ignorantes, ou estúpidos. Este é outro item sem desculpa, mas você pode ajudar a trabalhar esta deficiência para que eles evoluam desde que você não vire o “pai desta criança”.
Eles podem ter um problema PESSOAL com você. Talvez eles te achem “arrogante” ou obstinado, ou até mesmo estão magoados, pois sabem que você os julga como imbecis. Em todo o caso, isto fará com que eles fiquem mais propensos a não te escutar e discutir mais com você. Eles podem pegar no seu pé ou apenas descontar a raiva pelo julgamento que você fez. De qualquer forma você precisa ADMITIR que é parte do problema e precisa se reciclar, caso queira reverter este quadro.
Conclusão:
A estupidez explica apenas uma pequena parte das discussões e divergências das pessoas. Chamar alguém de “burro” é um beco sem saída, você não pode corrigi-lo. Em vez disso tente descobrir o que realmente está acontecendo.
Conselhos para seu ambiente de trabalho.
Certifique-se de que seu ambiente promova decisões objetivas. Se as decisões são tomadas com base em personalidade e emoções ao invés de levantamento de dados e debates, este ambiente tornará todas as pessoas “imbecis” e “estúpidas”. Procure outro lugar!
Escolha suas batalhas. Você não tem que tomar lado em todas as discussões. Deixe as outras pessoas fazerem suas próprias lutas. Lute apenas nas decisões importantes e difíceis de reverter.
Ganhe uma reputação ao longo do tempo através de um excelente trabalho. Isto é muito mais poderoso para requisitar a atenção do que capacidade intelectual.
Eu realmente não consigo aplicar, ainda, todos estes itens no meu ambiente de trabalho, mas estou trabalhando de forma firme e objetiva para alcançar um bom nível de entendimento com meus colegas.
Espero sinceramente que este artigo ajude vocês à repensar sobre seus colegas estúpidos.
